APÓS O DIVÓRCIO É POSSIVEL UM NOVO RELACIONAMENTO SAUDÁVEL?

Olá querido leitor e querida leitora,

Venho trazer pra você um conhecimento muito profundo que vem solucionando conflitos familiares e melhorando os relacionamentos. Trata-se da VISÃO SISTÊMICA. Neste mês, vou iniciar falando do divórcio à luz dessa visão. Essa abordagem ficou conhecida no mundo pelas Constelações Familiares trazidas pelo alemão Bert Hellinger, sendo um método psicoterapêutico aplicado até então em consultórios e grupos terapêuticos. Contudo, migrou para outras esferas de atuação. Inicialmente houve interesse por parte de empresários e consultores que a levaram para as organizações. Percebendo os resultados da técnica, houve um efeito cascata abrangendo as áreas da educação, saúde e atualmente há um movimento na área jurídica notadamente no Brasil. Inclusive, a abertura de Comissões de Direito Sistêmico pelo país, tendo muitas notícias comprovando o resultado satisfatório deste trabalho no site oficial do CNJ- Conselho Nacional de Justiça.

Essa abordagem sistêmica que hoje norteia o meu trabalho, permite que ampliemos a visão do indivíduo para todo o sistema que o influencia consciente e inconscientemente. Esse procedimento permite identificar as dinâmicas ocultas de uma situação e isso fornece a consciência sobre os motivos que causam tanto sofrimento nos lares e nos relacionamentos, proporcionando a possibilidade de resolvê-los. Por exemplo, no caso de um divórcio, o que leva de fato o casal a romper o relacionamento? Não raro um dos cônjuges (ou ambos) não está disponível para a relação por estar conectado com algum evento ocorrido de sua família de origem. Uma vez reconhecida esta identificação com o auxílio da técnica, o indivíduo se libera do chamado emaranhamento sistêmico. Não significa que a relação com o parceiro será reatada, o que pode acontecer eventualmente, mas ambos poderão perceber um ao outro de forma mais leve refletindo nas suas próprias vidas quanto na dos filhos, se houver.

Não raro se verifica na prática do Instituto que os conflitos de casal originam em outras situações que não com eles próprios. Usualmente, um dos pares ou ambos trazem para o sistema atual alguma desordem transportada de sua família de origem. Quero dizer, que muitas vezes essa pessoa fica apegada aos pais e as situações que envolvem essas pessoas. Da mesma forma que uma enxaqueca pressupõe determinado distúrbio no corpo definido por um sintoma, o conflito entre o casal com vias de desembocar em separação conjugal também pode ser considerado sintoma, pois aponta normalmente na violação das ordens do amor, como por exemplo, não ter se desprendido dos episódios negativos da família de origem promovendo a indisponibilidade mental e afetiva para uma relação.

Neste sentido, há uma das dinâmicas denominada o “filhinho da mamãe” e a “filhinha do papai” que se processa quando o filho permanece na esfera da mãe, posicionando-se no lugar do pai, seja porque este tem amante, vício, por ser falecido, etc. Similarmente, ocorre com a filha, ou seja, ela se sente melhor esposa para o pai do que a própria mãe. Quando um “filhinho da mamãe” se casa com uma “filhinha do papai”, ele frequentemente busca uma substituta para sua mãe e a encontra na mulher, e a mulher busca um substituto para o seu pai e encontra no marido.

É importante saber que para um casamento feliz e harmônico requer-se que o homem permaneça na esfera masculina e a mulher na feminina, independente das implicações exigidas. Formada a família (seja pelo casamento ou por meio da união estável), juridicamente falando, surgem inúmeros deveres que o casal deverá observar; previstos respectivamente, nos artigos 1.566 e 1.724 do Código Civil brasileiro, que são os seguintes: fidelidade recíproca, assistência mútua, guarda, sustento e educação dos filhos, respeito e consideração. Nesse instante percebe-se a sociedade física e mental que se forma a partir da união de um casal, pois respeito e consideração são valores não comensuráveis. Em caso de separação, a determinação comumente percebida em relação à guarda dos filhos é que estes fiquem com as mães, apesar deste cenário estar se alterando gradativamente nos últimos anos.

Quando um casal decide romper o relacionamento, depende da forma de como se procede, não raro os filhos sentem as consequências dolorosamente. Com frequência ficam no meio do fogo cruzado do atrito, gerando confusão mental e angústia. As vezes crimes familiares como “casos de Maria da Penha” e situações que configuram a “Alienação Parental”. Dependendo da idade, não dispõem de recursos internos para passar por esta fase, imunes. É necessário esclarecer que um filho é constituído por metade pai e metade mãe, a ciência comprova essa minha afirmação. Quando um dos progenitores reivindica ao filho o posicionamento contra o parceiro, seja de forma contundente ou insinuada, contribui para a desordem do sistema. Se o filho assume esta posição, futuramente sofrerá danos por conta da violação da hierarquia.

Todo filho possui uma parte de seu pai e uma de sua mãe, sentindo-se pertencente aos dois. Se lhe é negado o convívio ou mesmo quando lhe impedem de nutrir bons sentimentos, a um dos genitores, ou seja, uma exclusão pessoal, isso pode gerar uma negação de uma parte própria sua. Esse movimento é próprio da Alienação Parental. Tal comportamento se reflete em uma busca posterior e inconsciente por esta parte negada e muitas vezes se torne um agressor doméstico. Hellinger pontua que os filhos são felizes quando os pais amam-se mutuamente neles. E, mais que tudo, felizes quando sentem os seus pais como um casal. Então, sentem-se em ordem e consolados. Por isso, numa separação para amenizar a dor dos filhos, é aconselhável que estes permaneçam com o genitor que mais respeita o parceiro.

Finaliza-se uma desunião favoravelmente quando os cônjuges conseguem dizer um ao outro: “Eu o amei muito. Tudo o que lhe dei, dei com prazer. Você me deu muito e eu o honro. Por aquilo que não deu certo em nosso relacionamento assumo uma parte da responsabilidade e deixo a sua parte aos seus cuidados. E agora o deixo em paz”. Desta forma, admitem a responsabilidade que cabe a cada um sendo capazes de seguir e construir novo relacionamento, pois pelo princípio do pertencimento, o ex-parceiro continua a fazer parte do sistema. Atua também a lei da hierarquia, aonde quem chegou primeiro tem precedência em relação a quem surge posteriormente. Portanto, quando um casal decide separar-se, é imperativo que façam isto com amor, por mais paradoxal que possa parecer essa orientação. Reconhecer que o outro lhe presenteou com algo que o fez evoluir. Significa ainda dar o lugar de direito no coração ao ex-parceiro, assumindo que teve participação nos acertos e também erros da relação. Se houverem filhos, amar o parceiro nestes, pois quando se rejeita o parceiro, consequentemente irá rejeitar o filho, pois este sente que uma parte dele não é respeitada. Assim sendo, um novo relacionamento saudável só poderá surgir quando é dado o devido lugar ao passado, sobretudo aos que vieram antes.

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Dra. Vanessa Tadeu de Paiva

ADVOGADA ESPECIALISTA EM FAMÍLIA E SOLUÇÕES DE CONLITOS E CRIMES FAMILIARES

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